Quem não tem reserva financeira
Trabalhador só pode contar com o salário
No caso de um trabalhador que tem saldo no FGTS, mas não construiu uma reserva financeira além dele, o indicado é que tente organizar o orçamento mensal e separe parte do salário para constituir esse patrimônio. Os especialistas destacam que a rentabilidade do FGTS tende a aumentar por causa da mudança na distribuição dos lucros, fazendo com que o Fundo possa render mais que a caderneta de poupança.
Desta forma, o saque anual seria recomendado caso o dinheiro fosse aplicado em investimentos com maior potencial de rendimento. E, para a reserva feita a partir do salário, o indicado é investir em renda fixa, como títulos públicos, que garantem segurança e possibilidade de saque rápido.
Quem acha que pode ser demitido
Trabalhador teme perder vaga nos próximos 2 anos
No caso do trabalhador que acredita que pode ser demitido, antes de optar pelo saque-aniversário, é preciso avaliar o orçamento doméstico. Ao optar por esta modalidade de saque, caso a demissão ocorra, ele é obrigado a cumprir uma carência de dois anos até ter direito a acessar a totalidade dos recursos.
Sendo assim, os especialistas ponderam que pode ser melhor aguardar a saída da empresa e retirar todo o dinheiro do Fundo do que ficar sem emprego e sem o montante completo.
Quem está com as contas no vermelho
Trabalhador que tem muitas dívidas
É preciso avaliar numericamente as dívidas e o FGTS. Se o recuso a ser sacado na data de aniversário for suficiente para quitar de 90% a 100% das dívidas, é recomendado fazer a retirada e, com apertos no orçamento, diminuir gastos para pagar o restante.
— Caso o dinheiro do FGTS não seja capaz de quitar até 90% das dívidas, e a pessoa não consiga diminuir os gastos para pagar os débitos restantes, o saque anual pode não ser uma boa alternativa.
Quem tem muitos recursos no FGTS
Trabalhador com saldo alto na conta do Fundo
Considerando que o trabalhador tenha uma vida estável, reserva financeira e orçamento controlado, o saque anual pode não representar um ganho significativo.
— Uma vez que, com as mudanças na regra e, consequentemente, com a maior rentabilidade do FGTS, aplicações tradicionais de renda fixa podem dar um retorno financeiro inferior ao Fundo.
Quem sonha com a casa própria
Trabalhador que vai comprar ou paga prestação
Caso o trabalhador deseje comprar um imóvel, os especialistas defendem que o Fundo seja usado nesta empreitada. Se a pessoa já tem um financiamento, a indicação é que os recursos sejam sacados na totalidade para amortizar ou até quitar as parcelas.
Em relação à compra de imóveis, a recomendação é não optar pelo saque anual. A indicação é retirar todos os recursos para que sejam empregados na compra de uma única vez, conforme permite a legislação.
Quem deseja formar família
Trabalhador com planos de se casar e ter filhos
Estas duas decisões estão muito atreladas a consumo, destacam os especialistas. Se o trabalhador realmente desejar se casar ou aumentar a família, a recomendação é ter o controle do orçamento de perto e fazer cortes onde for possível. Não é recomendado, na leitura dos economistas, contar com o dinheiro do Fundo para gastos como uma grande festa.
As duas decisões envolvem um horizonte de longo prazo, por isso é preciso ter organização financeira antes de concretizar os planos, em vez de contar com saques anuais do FGTS.
Quem já tem uma família para cuidar
Trabalhador que ainda tem filhos pequenos
Neste caso, o primordial, pontuam os especialistas, é ter organização financeira. A primeira medida é mensurar os gastos com educação dos filhos, saúde, habitação e lazer, entre outros. Depois, o trabalhador precisa avaliar o que pode ser substituído por opções mais vantajosas e em conta.
Caso o orçamento já esteja apertado, a indicação não é sacar os recursos do FGTS, na leitura dos analistas. A ponderação é que o objetivo do cotista não deve ser transferir o dinheiro do Fundo para o consumo, como a compra de eletrodomésticos, ou para o pagamento de contas do cotidiano.
Quem está desempregado
Trabalhador sem vaga, mas com conta inativa
Se o trabalhador não tiver perspectivas de uma recolocação no mercado de trabalho formal nem a possibilidade de conseguir dinheiro por meio de empreendedorismo ou trabalho por conta própria, Calil pondera que o saque é uma alternativa. Agora, caso tenha alguma renda proveniente do trabalho, é preciso analisar se o melhor é realmente fazer os saques do Fundo ou tentar cortar gastos e reorganizar o planejamento familiar.
Fonte: Jornal O Globo